
O milagre que o campo vivencia todos os dias
Em artigo de opinião, Thales Alves reflete sobre a transformação de dejetos em alimentos nobres — o milagre silencioso que a agricultura vivencia todos os dias, do caroço de milho à água do coco.
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Em artigo de opinião, Thales Alves reflete sobre a transformação de dejetos em alimentos nobres — o milagre silencioso que a agricultura vivencia todos os dias, do caroço de milho à água do coco.
Por Thales Alves
25/08/2026 09h18
Imagem gerada por IA.Frequentemente vamos às missas, aos cultos, aos encontros ou reuniões religiosas — cada um na sua crença — e sempre ouvimos falar da transformação de água em vinho feita por Jesus Cristo, filho de Deus, como o seu primeiro milagre.
Para qualquer olhar cético, pode parecer um absurdo, uma mentira ou algo dificilmente cabível no nosso dia a dia. Como transformar água em vinho em um processo mágico e alquimista que, pragmaticamente, parece simplesmente impossível de acontecer?
Acontece que essa é uma leitura rasa. Porque nós, produtores rurais, vivenciamos esse milagre o tempo inteiro. Na correria do dia a dia da cidade grande, talvez as pessoas não percebam, mas somos expectadores desse tipo de milagre todos os dias.
Fico imaginando como, de um simples caroço de milho, nasce um pé com diversas espigas. Como, em um nó de manaíba, nasce um pé de mandioca com várias raízes. Como não enxergamos esse milagre antes, se ele está todos os dias conosco?
Fica mais perceptível ainda quando olhamos para os alimentos das plantas, os nutrientes, os adubos. Não existe milagre maior do que um coqueiro que, alimentado em suas raízes por esterco — fezes de boi, cavalo, porco ou galinhas —, se alimenta daquilo e te devolve um coco com uma água saborosa e refrescante.
E não é só. O fenômeno se repete com o maracujá, o abacaxi, o quiabo, a alface, o tomate e tantos outros alimentos nobres que surgem do milagre dos dejetos dos animais, filtrados por raízes poderosas, que nos devolvem alimentos riquíssimos e perfeitos.
Para quem não acreditava em milagres, até mesmo esse é um milagre indiscutível. A natureza e o seu poder.
Imaginem as vacas de leite, que comem capim e nos devolvem leite, queijo, creme de leite e manteiga. Sim, exatamente isso. O queijo que você come é fruto de um processo milagroso, onde um animal come o capim e devolve para nós alimentos nobres como o leite e seus derivados. E, além disso, adubam a própria terra com seus dejetos.
Este artigo me faz lembrar a aula de vida do velho leão Mufasa para o seu filho Simba. A natureza é assim mesmo: o que não presta, presta. O que não serve, serve. E, como em um passe de mágica, dejetos viram alimentos nobres.
Amém.
Equipe editorial especializada em mercado, produção e serviços para o hortifruti brasileiro.
Thales Alves (autor) e Isabella Caster (coautoria e redação)