Após quatro semanas de queda, os preços da mandioca reagiram em parte das regiões acompanhadas pelo Cepea, impulsionados pela redução da oferta e por entraves pontuais na colheita.
Segundo pesquisadores do Cepea, a alta reflete a menor oferta de raízes, a retração de produtores e as dificuldades de colheita causadas por chuvas pontuais.
O mercado da mandioca iniciou um movimento de reação depois de um período prolongado de recuo nas cotações. Em parte das regiões monitoradas pelo Cepea, os preços da raiz voltaram a subir, interrompendo uma sequência de quatro semanas de queda e recolocando a oferta no centro das atenções da cadeia produtiva.
Na semana analisada, o valor médio nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia ficou em R$ 467,86, o equivalente a R$ 0,8137 por grama de amido, com elevação de 1,3% em comparação com o período anterior. Embora o avanço tenha sido moderado, ele sinaliza mudança na dinâmica de mercado diante da redução da disponibilidade de matéria-prima.
Segundo pesquisadores do Cepea, a alta foi provocada pela combinação entre retração de produtores, rentabilidade limitada e dificuldades de colheita causadas por chuvas pontuais. Com menos raízes disponíveis, a disputa entre compradores se intensificou em algumas regiões, dando sustentação aos preços.
Apesar da reação semanal, o desempenho anual ainda mostrava fragilidade. O preço nominal permanecia 22,1% abaixo do registrado no mesmo intervalo do ano anterior. Em valores reais, considerando o ajuste pelo IGP-DI, a desvalorização chegava a 27,9%.
O cenário mostra que a produção agrícola segue diretamente exposta ao comportamento climático, ao custo operacional e à decisão de venda do produtor. No caso da mandioca, a retomada mais firme da colheita será determinante para definir os próximos movimentos do mercado e o ritmo de abastecimento da indústria.