O alerta veio da Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU: o El Niño, fenômeno que aquece as águas do Oceano Pacífico equatorial, vai ganhar força e deve alcançar intensidade elevada entre os meses de agosto e outubro de 2026. A previsão foi divulgada em atualização publicada no dia 31 de julho, com o mundo enfrentando oceanos excepcionalmente quentes.
O que diz a ONU
• O fenômeno já está em desenvolvimento e deve se intensificar entre agosto e outubro, provocando eventos climáticos intensos ao redor do globo;
• A agência meteorológica da ONU estima 80% de probabilidade de o El Niño se consolidar no período, com risco de ser um dos episódios mais fortes;
• A ONU alertou que os efeitos podem ser mais severos que os registrados em 2023 e 2024, em um cenário agravado pelas mudanças climáticas;
• O órgão pediu que os países reforcem os sistemas de alerta precoce e está preparado para desembolsar até US$ 100 milhões do fundo de emergência.
“Um El Niño forte está em desenvolvimento e deve se intensificar entre agosto e outubro, trazendo eventos climáticos poderosos ao redor do mundo." — OMM/ONU, 31/07/2026.
Impactos na safra brasileira
O fenômeno já é oficial, confirmado pela NOAA em junho, e o agronegócio brasileiro acendeu o sinal de alerta. Os efeitos são regionalizados:
• Sul — excesso de chuvas, com risco para as culturas de inverno e para a colheita;
• Norte e Nordeste — tempo mais seco, com risco de estiagem;
• Centro-Oeste e Sudeste — períodos de veranico (estiagem no meio da estação chuvosa);
• Preços dos alimentos — a instabilidade climática pode reduzir a produtividade e pressionar as cotações.
Especialistas da FGV apontam que a produção agrícola brasileira pode ser duramente afetada por um El Niño de forte intensidade nas safras de 2026 e 2027, reforçando a urgência de ampliar o seguro rural no país.
O que o governo e o setor estão fazendo
- O governo federal ativou um plano de monitoramento reforçado para a safra 2026/27, com foco em seguros rurais e gestão de risco;
- INMET, INPE, ANA, CEMADEN e outros órgãos emitiram boletim conjunto sobre o monitoramento do fenômeno;
- O setor aposta em tecnologia e inovação — cultivares tolerantes, manejo do solo e agricultura de precisão — para reduzir perdas.
Como o produtor pode se preparar
• Ajustar o calendário de plantio conforme as previsões regionais;
• Priorizar cultivares mais tolerantes ao estresse hídrico;
• Investir em manejo de solo e água para períodos de seca ou excesso de chuva;
• Acompanhar os boletins oficiais do INMET, INPE e NOAA;
• Avaliar a contratação de seguro rural para proteger a safra.