A produção de arroz da Índia, maior produtora mundial do cereal, deve registrar a maior queda em quase 20 anos. A estimativa aponta para uma redução de aproximadamente 10 milhões de toneladas em relação à safra anterior, pressionada pela falta de chuvas durante uma das fases mais importantes para o desenvolvimento das lavouras.
Os números
Produção estimada: cerca de 144 milhões de toneladas em 2026;
Queda: aproximadamente 10 milhões de toneladas (cerca de 6,5%);
Safra anterior: recorde próximo de 154 milhões de toneladas;
USDA: estima safra de arroz beneficiado da Índia em 147 milhões de toneladas em 2026/27.
A produção da Índia pode diminuir aproximadamente 10 milhões de toneladas em 2026, recuando de um recorde próximo de 154 milhões. — Compre Rural.
O problema climático
Monção abaixo do normal — o déficit de chuva atingiu importantes regiões produtoras;
Menor área plantada — a área de arroz plantada diminuiu 13% até agora, incluindo Bengala Ocidental;
Maior quebra em duas décadas — a produção deve cair pela primeira vez em uma década, e na maior queda em quase 20 anos.
O colchão dos estoques
Apesar da queda na produção, a Índia conta com estoques recordes de arroz, que funcionam como um colchão para o comércio mundial. O país, que é o maior produtor global do cereal, tem capacidade de manter a oferta ao mercado internacional mesmo com a safra menor.
O que isso significa para o mercado brasileiro
Preços firmes no Brasil: o Indicador do arroz em casca CEPEA/IRGA-RS fechou em R$ 81,90/saca (22/09), com alta de 4,5% no mês;
Demanda externa aquecida: as exportações brasileiras de arroz encerraram o primeiro semestre de 2026 com volume recorde (+83%), fortalecendo a disputa pelo cereal;
Preços em alta: o arroz voltou a superar R$ 63/saca no mercado brasileiro, sustentado pela menor oferta e pela demanda de exportação;
Aumento dos preços mundiais: a queda prevista na produção mundial de arroz (1,8%) e a globalização dos estoques (2,7%) pressionam as cotações internacionais.
O que esperar
Com a produção de arroz em queda na Índia e no mundo, e a demanda externa aquecida, a tendência é de preços firmes no Brasil para a safra 2026/27. O mercado brasileiro deve acompanhar de perto a situação da monção indiana e a liberação de estoques do país, que pode influenciar a oferta global do cereal.